| Opinião |
Opinion |
| O
que se segue são apenas reflexões, comentários (às vezes ácidos)
e críticas sobre a realidade da guitarra em Portugal e no mundo. |
You
will find below a few thoughts, comments (sometimes sour ones)
and reviews concerning the guitar in Portugal and the world. |
| |
|
|
X Festival Internacional de Guitarra de Santo
Tirso | 2003
A décima edição
do Festival de Guitarra de Santo Tirso, a maior referência
da guitarra em Portugal, trouxe uma das figuras centrais da
guitarra eléctrica - guitarristas de todo o país
e da vizinha Espanha viram pela primeira vez Allan Holdsworth,
um veterano em acção, um guitarrista para iniciados,
definitivamente não para massas nem FMs. Mais perto do
jazz que do rock, Allan, com um percurso marginal, teve um público
muito surpreendentemente diverso; muitos deles provavelmente
ouviam a sua música pela primeira vez, mas devido ao
excessivo volume sonoro (o balanço entre os instrumentos
não foi equilibrado, em parte causado por uma sala demasiado
pequena que não permitia controlar devidamente o som
da bateria em relação aos outros dois instrumentos)
não conseguiram distinguir a riqueza dos planos e das
texturas sonoras deste magnífico trio.
Também o som esteve quase a estragar a abertura do festival,
a cargo de Biréli Lagrène & Gipsy Project.
A experiência de palco, a simpatia e o talento de todos
os músicos do grupo conseguiram continuar um concerto
numa sala que a determinada altura ficou completamente às
escuras e imediatamente sem amplificação. Foi
nesse momento que se pôde ouvir a versão verdadeiramente
acústica de Djangology, tema que abre o seu
último CD. Ultrapassados os problemas técnicos,
Florin Nicolescu fez um dos solos mais belos do concerto. Foi,
apesar de tudo, um momento memorável na história
do Festival.
|
Xth Santo
Tirso International Guitar Festival | 2003
The 10th edition of the Santo Tirso
Guitar Festival, the most important guitar event in Portugal,
brought one of the unavoidable figures of the electric guitar
guitarists from all over the country, as well as from
Spain came to see for the first time Allan Holdsworth, a veteran
in action, a guitarist for specialists, definitely not for the
masses or the MTV. Closer to jazz than to rock, Allan, a sort
of outsider in the guitar world, had a surprisingly diverse
audience, many of whom probably heard his music for the first
time. Due to the excessive loudness (the unbalance between the
instruments was partly due to a small venue which did not allow
a good control of the sound of the drums in relation to the
other two instruments), the public could not make out the rich
planes and textures of this wonderful trio.
Also the sound almost spoiled the opening of the Festival, by
Biréli Lagrène & Gipsy Project. Only the musicians
experience, sympathy and talent managed to continue the concert
in a venue that at a certain point went completely dark and
right afterwards had no amplification. It was at that moment
that we could hear the truly acoustic version of Djangology,
the track that opens the bands latest CD. Once the technical
problems were solved, Florin Nicolescu did one of the most beautiful
solos of the evening. In spite of everything, it was a memorable
concert in the Festivals history.
|
Encontros de Guitarra
do Porto - 2001
Os Encontros deste ano começaram com um concerto colectivo a cargo
de alunos de guitarra das escolas superiores de Lisboa e do Porto.
Para além de ter sido uma proposta original (é a primeira vez
em muitos anos que as duas instituições se reunem numa iniciativa
deste género!!!), o nível dos participantes justificou plenamente
a nossa aposta. Prometemos repetir a dose, e esperamos que esta
seja a primeira de futuras colaborações entre as diversas escolas
do país, que bem precisa de uma maior comunicação entre os seus
artistas. |
Encontros
de Guitarra do Porto - 2001
This year's Encontros started with a collective concert by guitar
students from Lisbon and Oporto universities. In addition to the
originality of the proposal (it was the first time in many years
that the two institutions were joined in such project!!!), the
level of the participants wholly justified our initiative. We
promise to repeat the experience and hope that this is just the
beginning of closer cooperation between the country's various
schools, in order to encourage better communication among musicians. |
Big Brother (A novela
da guitarra real)
Foram abertas as inscrições para realizar um Big Brother
só com guitarristas. Mas, por razões que desconhecemos, não conseguimos
recrutar uma dezena de guitarristas que pudessem conviver no mesmo
sítio mais de alguns minutos. |
Guitar
Big Brother
Some time ago we opened vacancies to organize a Big Brother
made up only of guitarists. But, for reasons we cannot fathom,
we failed to recruit ten guitarists willing to share the same
roof for more than a few minutes. |
Guitar top 10
Ouve-se por ai que o evento X está entre os 10 mais importantes
do mundo, ou que fulano está posicionado entre os 5 melhores guitarristas
do planeta. Perguntamos nos: existe algum organismo ou instituição
oficial a nível mundial que faça estatísticas sobre a guitarra,
eventos com guitarra, concertos, recitais, festivais? E especificamente
sobre a guitarra clássica???
Qualquer coisa como a Comissão Mundial do top 10 da Guitarra,
ou a Champions' League da guitarra ???
No caso de existir, qual seria a justificação da sua existência?
Digam alguma coisa por favor.
Pasteis de nata (ou Guitar Top 10 II)
Não vamos falar de culinária. A verdade é que a nata anda nas
bocas do mundo. E há sítios onde o valor dos artistas, à falta
de outros adjectivos, é traduzido em frases e aforismos curiosíssimos,
nomeadamente: "a nata da nata", "os queques da guitarra" "o jet
set da guitarra", "os craques da guitarra". Pena é ninguém falar
dos "nabos da guitarra". |
Guitar
Top 10
It is often heard that such and such event ranks among the ten
most important in the world, or that Mr X is one of the five
best guitarists in the planet. Question: is there any international
organization or official institution that makes statistics about
the guitar, and guitar events, concerts, recitals and festivals?
And about the classical guitar in particular???
Something like the World Committee for the Guitar Top 10, or
the Guitar Champions' League???
If there is such a thing, what would justify its existence?
Somebody give a hint, please.
Cream Tarts (or Guitar
Top 10 II)
We won't talk about cooking. But the fact is that cream is in
everybody's mouth. There are people without of limited vocabulary
who define musicians' qualities using very peculiar phrases,
such as "la crème de la crème", "the guitar main
dish", "the guitar jet set", "the guitar
cracks", etc. What a shame nobody talks of "the guitar
cabbages".
|
| A guitarra
para os guitarristas? (I)
Ouve-se com muita frequência o comentário de que são só os guitarristas
(os poucos que vão aparecendo) que vão aos concertos de guitarra.
Contudo, durante os últimos Encontros de Guitarra, verificámos
com satisfação que esta tendência está a inverter-se, e que
o nosso público é cada vez mais diversificado, incluindo pessoas
que pela primeira vez assistem a um concerto de guitarra. Esperemos
que continue assim.
A guitarra para os guitarristas?
(II)
Continuamos a nossa saga de organização de concertos, actividades
pedagógicas, concursos, etc. na esperança (vã) de ver as salas
repletas de guitarristas (clássicos, românticos, pós-modernos,
acústicos, folclóricos, eléctricos, electrocutados, metaleiros,
etc.) curiosos. Pelo menos resta-nos a consolação de acreditar
que, se não aparecem os concertos, estarão em casa a exercitar. |
Guitar
for guitarists? (I)
We have often heard the remark that only guitarists (the few that
show up) go to guitar concerts. During the latest Encontros
de Guitarra, however, we have observed that this trend is
changing and that we have an increasingly diversified audience,
including people who attend a guitar concert for the first time.
We hope they keep coming.
Guitar for guitarists? (II)
We continue our efforts to organize concerts, teaching activities,
competitions, etc., in the (vain) hope of seeing venues full of
eager guitarists (be them classical, romantic, post-modern, acoustic,
folk, electric, electrocuted, heavy metal, etc.). We would like
to believe that, if they do not show up at concerts, they must
be practising at home.
|
| A benção
de Segovia I
Hoje em dia lê-se que um número significativo de guitarristas,
jogaram golfe com Segovia, tomaram chã com Segovia, conversaram
com Segovia ( "bom dia", "bom dia" respondeu Andres), outros
contam nos CV que Segovia disse sobre eles "um grande artista"
"o futuro conde/arquiduque, etc. da guitarra" Inclusive guitarristas
que nunca antes tinham referido tal situação agora dão a conhecer
comentários de "el maestro".
Ainda mais - gente que só viu Segovia em fotografia, conta que
esteve com ele a intercambiar ideias. ("gosta com açúcar ou
sem, maestro?")
É bom para alguns que Segovia tenha vivido 90 e tantos anos,
porque de outro modo era bastante difícil acreditar que uma
vida mais curta chegasse para fazer tão bons comentários de
tanta gente. Mas sendo assim acreditamos.
A benção de Segovia II
Foi-nos informado que na bolsa já estão cotadas as acções "Comentários
positivos de Segovia sobre um número infinito de artistas".
Wall Street treme. |
Segovia's
blessing (I)
Today one can learn that an increasing number of guitarists played
golf with Segovia, had tea with Segovia, talked with Segovia ("good
morning", "good morning" answered Andres). Others
tell us on their bios what Segovia said about them Ü "a great
artist", "the future count/archduke, etc. of the guitar".
Guitarists who had never mentioned this fact before, get out of
their way to tell us the master's comments.
Even people who only saw Segovia in pictures claim to have exchanged
ideas with him ("with or without sugar, maestro?").
It is a fortunate thing for some people that Segovia lived more
than 90 years. Otherwise it would be difficult to believe that
a shorter life was enough to praise so many people. But thus being,
we believe it. Segovia's
blessing (II)
We have been informed that the securities "positive
comments by Segovia about an endless number of artists" are
already quoted in the stock exchange. Wall Street is in a turmoil...
|
| VII Festival Internacional
de Guitarra de Santo Tirso
A sétima edição do Festival de Guitarra de Santo
Tirso foi, para além de um acontecimento artístico excepcional,
um sucesso em termos de público, dado que este quintuplicou
em relação aos anos anteriores.
Lotação "esgotadíssima" para os concertos de Egberto Gismonti,
Al Di Meola e Kazuhito Yamashita.
Um estímulo para todos os que trabalhamos na divulgação e promoção
deste instrumento.
|
VIIth
Santo Tirso International Guitar Festival
The seventh edition of the Santo
Tirso International Guitar Festival was, apart from an exceptional
artistic event, a success in terms of audience attendance, as
this was five times as much as in previous years.
Absolute sold-outs for Egberto Gismonti, Al Di Meola and Kazuhito
Yamashita.
A stimulus for all those who work for the promotion of this
instrument.
|
| II JORNADAS
DE MÚSICA E ANIMAÇÃO CULTURAL
LAVRA 2000
Dia 15 de Julho apresentou-se Pedro
Jóia com o seu septeto e no dia 28 de Julho os guitarristas
Ricardo Musomesi e Oscar Flecha com a Orquestra de Pedroso,
dirigida por Altino Carvalho, apresentaram-se em concerto na
Igreja de Lavra. O concerto de Pedro Jóia, que decorreu no auditório
Mário Rodrigues Pereira, registou uma numerosa presença do público
atraído pelas sonoridades únicas do flamenco. Pedro Jóia, talvez
o mais representativo interprete de flamenco por terras lusas,
apresentou-se com grande nível, denotando-se, para além do domínio
inequívoco dos trejeitos do género, uma maturidade, em termos
musicais, assinalável para um músico ainda jovem. O septeto
Pedro Jóia, para além da guitarra, apresenta-se com percussão,
bandolim, violino, viola, violoncelo e um cantor. Dos músicos
que acompanham Pedro Jóia destacaria a percussão de Manuel Costa
Reis e o bandolim de Eduardo Miranda, deixando uma nota para
a secção de cordas que em alguns arranjos fazia uma ponte interessante
entre o popular e o erudito. Pedro Jóia sempre entusiasticamente
aplaudido, brindou os presentes com um tema de Paco de Lucia,
assim como com versões de "Verdes Anos" e "Variações em Ré Maior"
de Carlos Paredes.
.
O dia 28 de Julho esta na Historia da Música Ocidental
marcado como o dia da morte de um dos expoentes máximos da arte
barroca e da musica em geral, Johann Sebastian Bach. Neste dia
de particular simbolismo a Igreja de Lavra foi o cenário ideal
para acolher um recital onde teve natural destaque a musica
barroca. Neste recital apresentaram-se a Orquestra de Pedroso
dirigida pelo maestro Altino Carvalho tendo como solistas os
guitarristas Ricardo Musomesi e Oscar Flecha. A Orquestra deu
inicio ao concerto com a Abertura do Messias de Haendel .O Maestro
Altino Carvalho dirige um naipe de jovens músicos que se mostraram
a altura das necessidades técnicas e interpretativas. A primeira
intervenção dos solistas ocorreu com o Concerto para Dois Bandolins
e Orquestra de Vivaldi, uma obra adaptada a guitarra que forma
parte do repertório habitual deste instrumento. Os solistas
mostraram-se perfeitamente conhecedores da obra assim como do
caracter interpretativo a imprimir, proporcionando momentos
de grande fruição musical. A musica de Vivaldi sempre de agradável
audição mesmo para um público menos musical, constitui um óptimo
final para a primeira parte deste recital. A segunda parte foi
por assim dizer uma homenagem a Bach que há 250 falecia em Leipzig,
após uma mal sucedida operação aos olhos. A Orquestra abriu
com a Ária da Suite N¹3 BWV 1068, um dos excertos de Bach mais
tocados mas onde está bem patente o fascínio da sua música.
O público que enchia por completo a Igreja de Lavra, um monumento
de construção barroca, dava mostras de agrado, tal o entusiasmo
dos aplausos com que sucessivamente ia brindando cada numero.
A segunda intervenção dos guitarristas Ricardo Musomesi e Oscar
Flecha deu a ouvir uma versão creio que inédita do Duplo Concerto
BWV 1043 de J.S.Bach .
Esta obra de outra envergadura técnica e musical mostrou uma
orquestra empenhada em servir convenientemente os solistas que
demonstraram consistência e segurança. Parece-me importante
salientar o resultado da adaptação à guitarra deste concerto
original para dois violinos. Pelo que no momento foi dado a
escutar creio ser um bom contributo para o repertório guitarrístico.
Terminado o programa Orquestra e Solistas responderam as solicitações
do público e tocaram dois números extra programa.
A organização deu conta da satisfação da realização do concerto
na Igreja de Lavra, algo nunca feito ate ao momento, e mostrou-se
agradada com a presença numerosa do público e com o efeito conseguido
com a iniciativa. |
II
JORNADAS DE MÚSICA E ANIMAÇÃO CULTURAL
LAVRA 2000
...Once more the artistic direction
of the event gave prominence to the guitar. From a total six
concerts, two featured the guitar. On 15 July it was Pedro Joia's
septet and on 28 July guitarists Ricardo Musomesi and Oscar
Flecha played two concertos accompanied by Orquestra de Pedroso,
conducted by Altino Carvalho... Pedro Joia, perhaps the most
representative flamenco player in Portugal, showed not only
undeniable technical skills, but a remarkable musical maturity
for such a young performer.
In the second half, Musomesi and
Flecha played a version for two guitars and orchestra of BachÍs
Double Concerto BWV 1043. (...) It seems important to point
out the good result of this transcription, which is a good contribution
for the guitar repertoire.
|
Raridades nos jornais
Raridades 1
A guitarra clássica ou viola dedilhada ou guitarra hispânica
ou espanhola ou simplesmente guitarra tem sido alvo de algumas
confusões porque muitos críticos não conhecem os compositores
nem os intérpretes que fazem música para guitarra.
Por isso há uma constante comparação com o piano, com orquestras
e outras fantasias audioliterárias.
Imaginem assistir a um concerto de cravo de Gustav Leonhart e
concluir que devia ter um tom mais aflautado, um fraseado mais
violinístico, um som mais orquestral.
Fica a sensação que quem escreve quer ouvir flauta, violino ou
uma orquestra e lamenta-se de ter um cravista à frente. Ainda
pior: imaginem que o homenzinho sai do concerto a reclamar que
Leonhart não tocou Listz nem Chopin e concluindo que o cravo é
um instrumento limitado...
Esta maneira de "raciocinar" é praticada mais frequentemente que
aquilo que o leitor imagina. Basta ler as (poucas) críticas que
aparecem nos media sobre a guitarra e os guitarristas.
Raridades 2
Há uns anos Pierre Bensusan foi anunciado como um intérprete
especializado em Debussy, Hopkinson Smith foi Britânico por um
dia, ainda mais recentemente um profético jornalista fazia uma
crítica sobre um recital que ainda não tinha acontecido e outro
assinava um texto no qual trocava (entre outros pormenores!) os
nomes dos integrantes de um conhecido Duo de guitarras por nomes
que nada a ver tinham com esse duo nem com nenhum outro duo. O
mais "simpátético" foi que o tal duo nem sequer actuou. Finalmente,
este ano anunciam um festival de guitarra pela primeira vez em
Portugal...
É importante ter em conta que isto é apenas um resumo (pequeno).
Seria bom se os jornalistas tivessem o cuidado de verificar a
informação antes de esta ser publicada.
|
Newspaper
curiosities
Curiosities 1
The classical guitar (or fingered guitar, or
Hispanic guitar or Spanish guitar, or just guitar) has been the
object of some misunderstandings, simply because many critics
do not know either the composers or the performers of guitar music.
This is the reason why it is constantly compared to the piano,
to orchestras and to other "audio-literary" fantasies.
Imagine that someone goes to a concert by Gustav Leonhart and
concludes that the harpsichord should have had a more flute-like
pitch, a more 'violinistic' phrasing or a more orchestral sound.
You then get the idea that the critic wanted to hear a flute,
a violin or an orchestra and is sorry that it was only a harpsichord.
Even worse: imagine that the fellow leaves the theatre complaining
that Leonhart did not play Liszt or Chopin and deducing from that
fact that the harpsichord is a limited instrument . . .
This line of "thought" is more frequent than you imagine. To prove
it, read the (few) reviews published about the guitar and the
guitarists in our media.
Curiosities 2
Some years ago, Pierre Bensusan was announced as a performer
specialised in Debussy. Hopkinson Smith was British for a day.
More recently, a prophetic journalist published a review of a
concert that had not yet taken place and another signed a text
in which (among other "details") he changed the names of a well-known
guitar duo for names that had nothing to do with that or any other
duo. The most "sym-pathetic" aspect of this gaffe is that the
duo never even played. Finally, this year a newspaper announced
the "first" guitar festival ever to be held in Portugal.
And this is only a brief summary of many frequent mistakes.
It would be nice if journalists checked the information they get
before sending it to print. |
|